Diferente do que muita gente pensa, o
rap (o movimento) não surgiu nas periferias dos
Estados Unidos na década de 70, pelo menos não na sua forma original. Foi ainda mais cedo que os
jamaicanos começaram a se reunir nas periferias do pais pra tocar pra uma minoria da população que se interessava pelo movimento, e começaram lá o que chamamos de "cultura de dj". Junto com o
DJ, um "
MC" subia nas pickups, e no intervalo das músicas, fazia discursos e rimas usando alguns problemas que atingiam o país na época. Já o hip-hop, a cultura em si e seus quatro elementos, grafiti, break dance, dj e mc, deram seus primeiros sinais no Brox, um pouco mais tarde. O movimento também tomou conta dos programas de
rádio e tv.
Michael Holman e DJ Jimmy Jazz
O movimento se expandiu, e foi em meados da década de 80 que ele começou a chegar por aqui, e a concentração maior tomou algumas ruas da capital paulista. A
rua 24 de maio foi o berço do movimento, e no mesmo lugar onde o movimento punk começou a dar os primeiros sinais por aqui, cds de rap começaram a ser comercializados e dançarinos de
break se reuniam. Mais tarde, depois de serem expulsos da região, começaram a se reunir onde hoje é a estação
São Bento do Metro. Na época, muitos dançarinos se tornaram rappers de sucesso, coisa que era comum já que ambos frequentavam os meus "
picos". Hoje as "
rodas de break" também são frequentes, não como antigamente, mas tem seu significado e um público que faz questão de rodar a cidade pra ver de perto a habilidade dos caras.
A DIFERENÇA
O rap e o hip-hop são movimentos e ritmos bem parecidos, com diferenças pequenas, porém notáveis. Se pararmos pra observar um rap, notaremos que ele é mais falado, com várias rimas e acompanhado de batidas, porém a voz sempre está em destaque. Já no hip-hop é o inverso! As batidas tomam conta e a voz acaba se tornando um complemento pra transformar tudo aquilo em música.
Se existe alguém com propriedade pra falar do assunto, esse alguém é
Nathy MC, que já tem um tempo na estrada e que infelizmente (fiquei me perguntando o motivo de conhecer só agora) eu vim conhecer há pouco tempo. Não foram necessárias muitas palavras, e em uma daquelas conversas rápidas pelo facebook, foi o bastante pra notar que a humildade e paixão pelo que faz (além do talento, claro), são essênciais pra uma caminhada limpa e de sucesso. Descobri também que ela ouve muito
Rick Ross e
Meek mill, caras com uma longa estrada e que tem trabalhos muito bons. Talvez a junção de tudo isso seja a receita do sucesso e de um trabalho tão bom, como o que
Nathy e seus parceiros tem feito por aqui.
NA MODA:
Quando falamos de "rap na moda", é muito bom ressaltar que o estilo dos rappers não está presente só nas roupas, nas correntes e nas calças largas. É bem evidente que eles usam o cabelo, barba e até a própria pele como uma forma de se expressar, de passar uma mensagem pra sociedade.
Com o grande sucesso do movimento, as vezes fica até difícil distinguir as "tribos", o que por um lado acaba se tornando muito interessante pelo simples fato de poder ver claramente que o movimento que nasceu há vários anos atrás, vem influenciando gerações e depois de influenciar as minorias, vem ganhando conceito com as grandes massas.
Hoje a influencia é muito clara nas ruas, não só aqui em São Paulo, mas no mundo inteiro. Seja um boné, uma corrente ou uma calça mais larga, e se irmos mais a fundo vamos descobrir que de alguma forma, a maioria de nós somos influenciados por esse movimento que se disseminou mundo à fora tão rápido.